sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Opinião

A RESPONSABILIDADE SOCIAL DENTRO E FORA DAS EMPRESAS.


De uns tempos para cá, a responsabilidade social das empresas tem se tornado um fator preponderante na definição dos seus rumos a seguir e da definição do seu espaço dentro da sociedade.

Essa mesma sociedade tem cobrado e estimulado a responsabilidade social na forma de preferir empresas engajadas nesta mentalidade, deixando (nem sempre, é claro) o fator menor preço de lado e escolhendo produtos ou serviços que gerem benefícios a terceiros.

Apesar disso, a responsabilidade social ainda não é uma idéia em comum da maioria dos brasileiros, assim como não o é entre a maioria dos empresários. Neste ponto é fundamental o apoio do Governo sob a forma de privilégios àqueles que se comprometam com a responsabilidade social e com fiscalização sobre os recursos deslocados para este fim.

Outro fator é: existem empresas que utilizam a responsabilidade social como marketing [bb]e não se engajam com o espírito humanitário da responsabilidade social de forma responsável e politicamente honesta. Não estou dizendo para que os empresários se tornem futuras Madres Teresas de Calcutá, mas não se pode confundir algo de cunho social como apenas uma arma para aumentar vendas.

Em minha opinião, as empresas devem se tornar responsáveis socialmente, utilizar suas experiências positivas como marketing para a empresa, mas não se esquecer de olhar para dentro da empresa. Verificar os motivos de sucesso do projeto pode ser um ótimo exercício para descobrir talentos que estão escondidos na empresa e ainda não se revelaram. Certa vez li em um texto na Faculdade sobre um funcionário de uma empresa do ramo de cosméticos que trabalhava no Depto. Financeiro e, após um projeto feito em asilos na cidade de Fortaleza, decidiu mudar de rumo, passou a trabalhar no Depto. de Recursos Humanos da mesma empresa e já se tornou um Gerente de RH com sucesso. Era um líder em potencial sendo desperdiçado em outra área.

Outro ponto: empresas investem fortunas em responsabilidade social e marketing, desenvolvem diversos projetos, muitos deles de excelentes resultados, e possuem um ambiente interno muito pesado e que não condiz com a imagem que é passada ao público. Isto, em minha opinião, é a pior situação que pode acontecer dentro de uma empresa. Os funcionários não têm um ambiente profissional que estimule o bom desempenho e o crescimento, e fica difícil se entregar a projetos que não lhe condizem.

Normalmente nestes casos, as empresas desenvolvem projetos com empresas terceirizadas e contam com muito pouco de seus próprios funcionários para a realização destes projetos. Não há o estímulo para o crescimento do ideal responsável de dentro para fora da empresa. Os empresários devem pensar: "Quero que meus funcionários trabalhem. O máximo possível. Já estou dando dinheiro para uma instituição fazer esse tipo de serviço, não vou liberar funcionários também".

O ambiente interno de uma empresa deve ser seu primeiro campo para o trabalho social. A motivação dos funcionários deve partir de suas funções no dia-a-dia e de suas responsabilidades. Uma pessoa nunca se tornará feliz em seu trabalho se não tiver condições mínimas de desenvolver suas funções, ser reconhecido pelo seu esforço e ser respeitado dentro da empresa. Só um detalhe: a motivação de um funcionário nem sempre significa dinheiro a mais no final do mês. O reconhecimento pessoal dos envolvidos entre os próprios funcionários da empresa pode fazer a diferença.

As empresas que possuem o verdadeiro espírito do engajamento social criam formas diferentes de atuar na sociedade de acordo com suas capacidades. Existem empresas que contribuem financeiramente, outras que disponibilizam parte do tempo de seus funcionários para instituições onde podem desenvolver um trabalho conforme suas capacidades, e com o que esta instituição pode estar precisando.

Casos como o de Diretores Financeiros que salvaram instituições que não estavam conseguindo gerir suas necessidades de acordo com suas receitas. As receitas de um asilo, por exemplo, variam durante todo o ano por depender principalmente de doações. Além de resolver um problema financeiro com novas ações e diretrizes, atuando em um asilo como um profissional que é, o profissional sai prestigiado por resultados em uma área diferente de seu foco na empresa e a empresa passa a ter mais confiança no profissional que tem e na sua capacidade. Neste caso específico acontecido na cidade de Goiânia, um Diretor Financeiro criou e capacitou uma equipe de funcionários do asilo para captação de recursos junto a empresas e pessoas físicas e uma conta para pagamento de fornecedores separada das demais despesas para não faltar com os compromissos do asilo e manter o fornecimento sempre em dia.

Por fim, conforme dito acima, a responsabilidade social não significa apenas doações para instituições de caridade e propagandas para a empresa. As empresas devem se conscientizar que ajudar é preciso. Só desta forma conseguiremos arrumar o que o nosso País mais precisa: uma nova mentalidade - positiva e determinada - para construirmos uma nação mais digna e humana, sem tantas diferenças sociais.

Cabe aos empresários a responsabilidade de criar e tornar viáveis projetos sociais, dentro e fora das empresas, e estimular todos para esse conceito. Adequando a realidade de cada empresa (grande, média, pequena, micro, ou o que for), todos têm sempre algo de bom a fazer à sua maneira. Desse jeito, nós um dia chegamos lá.

Luciano Bessa Scartezini é Administrador de Empresas graduado pela Universidade de Brasília.

Imagem:http://tinyurl.com/4lupzn

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