SegurançaHa alguns dias nota-se o crescente número de artigos nos jornais da cidade sobre o tema segurança, ou falta dela. São assaltos em porta de escolas, sequestros relâmpago nas faculdades, super-quadras, e até lugares mais movimentados, são atentados contra a vida, muitos deles levando a vítima a morte, entre outros relatos da mesma espécie. O que se vê são geralmente um leque de conselhos do tipo não demonstre...., não ande só..., não exponha objetos..., não deixe objetos de valor..., não..., não..., não.... Para não perder a deixa, não ha segurança na realidade. É a grande farra dos bandidos, que roubam sem a menor desfarçatez, de cara limpa, pois para estes não há limites, ou lei, ou quem os freie ou detenha. Assaltam jovens, alguns sofrem inclusive espancamento, como relatado em uma das diversas matérias do gênero. Podem dizer que falo sem conhecimento de causa, seria ótimo se fosse verdade. Infelizmente por duas vezes passei pela desagradável experiência.
Porém, hoje, ao abrir o mesmo jornal, pude ler artigo redigido por Valeria Velasko, que para os brasilienses dispensa apresentações, expressando, de forma bem clara o sentimento da população.
Leiam a integra deste artigo.
Direito roubado
VALERIA DE VELASCO//valeriavelasco.df@diariosassociados.com.df
Encurralados. Assim começam a viver os brasilienses, principalmente os adolescentes, vítimas dos diários assaltos à mão armada que lhes roubam o direito de ir e vir consagrado pela Constituição de 1988 e impõem aos familiares o medo de que não cheguem sãos e salvos em casa. É o que se deduz da inexplicável reação do poder público à onda de roubos nas áreas de comércio e entorno das escolas na capital da República. Exaustivamente denunciados pela imprensa, os ataques ocorrem em plena luz do dia. Casos denunciados pelo Correio, como o do franzino dono de uma frutaria que sobreviveu às coronhadas que lhe deixaram a camisa manchada de sangue e o coração abalado para sempre pelo temor de novas agressões e o da jovem estudante submetida ao terror de um revólver .38 contra sua testa enquanto colegas eram obrigados a entregar seus objetos ao bandido, se tornaram recorrentes.
Mas, em vez de ver reforçado o policiamento, o brasiliense apenas ouve recomendações que lhe restringe cada vez mais a liberdade. A ordem é que os estudantes abram mão de direitos banais como portar celulares e MP3 para não chamar a atenção dos bandidos. E que não saiam da
escola sem a companhia dos pais: Criada para proteger o cidadão, a Secretaria de Segurança Pública reconhece, dessa forma, que o espaço público é território livre do crime. Ioga nas costas do cidadão a parte que lhe cabe na responsabilidade pelo direito de ir e vir das pessoas de bem. Transfere aos que pagam os impostos cobrados para fazer funcionar a estrutura do poder público as obrigações daqueles que são remunerados para garantir a segurança e a ordem pública.
No seu site, a própria secretaria não deixa dúvida sobre quais são essas obrigações: "A Secretaria de Segurança Pública (SSP/DF) do Governo do Distrito Federal (GDF) tem o compromisso de dirigir os órgãos de Segurança Pública para atividades policiais primordialmente preventivas e de participação comunitária, visando a proteção social e a melhoria da qualidade de vida da população pela efetivação de um verdadeiro estado de segurança". Por que não as cumpre? Por que não começar pelo combate sem trégua às armas de fogo, cada vez mais nas mãos dos jovens? Do Plano Piloto às invasões mais pobres da capital, os brasilienses aguardam ações efetivas de prevenção capazes de evitar mais tragédias."
Correio Braziliense - Sessão Opinião - 18/11/2008
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